" [...] qualquer tradução, como qualquer leitura, inevitavelmente refletirá, além do sujeito-tradutor, o momento histórico e a comunidade cultural que a produziram. Nessa perspectiva, aprender a traduzir, tornar-se tradutor, implica, portanto, em primeiro lugar, reconhecer seu papel essencialmente ativo de produtor de significados e de representante e intérprete do autor dos textos que traduz". (Rosemary Arrojo)
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Situações de fala (por Julia Mazzoccante)
Situações de fala
dell Hymes
Dentro de uma comunidade uma pessoa pode facilmente detectar várias situações associadas com a (ou marcadas pela ausência da) fala. Tais contextos dessas situações vão, frequentemente, serem naturalmente descritas como cerimônias, brigas, caças, refeições, prazer, e afins. Não seria lucrativo converter tais situações em massa em partes de uma descrição sociolinguística pela simples convenção de rotulá-los em termos de fala. (Note que as distinções feitas a respeito da comunidade de fala não são idênticas aos conceitos de uma aproximação de comunicação geral, que deve mencionar a gama diferenciada de comunicação pela fala, filmes, artigos de arte, música.) Tais situações podem entrar como contextos dentro da declaração de regras da fala com aspectos de configuração (ou de gênero). Em contraste aos eventos da fala, eles não são em si mesmos regidos por tais regras, ou um conjunto de regras como um todo. Um caçador, por exemplo, pode abranger tanto eventos verbais quanto não verbais, e os eventos verbais podem ser de mais de um tipo.
Eventos de fala. O termo evento de fala será restrito a atividades, ou aspectos de atividades, que são diretamente regidas por regras ou normas para o uso da fala. Um evento pode consistir de um único ato de fala, mas irá frequentemente compreender vários. Assim como uma ocorrência de um substantivo pode ser ao mesmo tempo o centro de um sintagma nominal e o centro de uma sentença (exemplo “Fogo!”) então, um ato de fala pode ser o centro de um evento de fala, e de uma situação de fala (digamos, um rito que consiste de uma única oração, sendo ela mesma uma única invocação). Mais frequente, no entanto, pode-se achar a diferença na magnitude: uma festa (situação de fala), uma conversa durante uma festa (evento de fala), uma piada durante a conversa (ato de fala). É sobre eventos de fala e atos de fala que se escreve regras formais para suas ocorrências e características. Note que o mesmo tipo de ato de fala pode ocorrer em diferentes tipos de eventos de fala, e o mesmo tipo de evento de fala em diferentes contextos de situações. Portanto, uma piada (ato de fala) pode estar incorporada em uma conversa privada, leitura, introdução formal. Uma conversa privada pode ocorrer no contexto de uma festa, cerimônia fúnebre, na pausa enquanto os tenistas trocam de lado na quadra.
Ato de fala. O ato de fala é o termo mínimo do conjunto que acabou de ser discutido, assim como os comentários dos eventos de fala indicaram. Representa um nível distinto da sentença, e não identificável com nenhuma porção de outros níveis gramaticais, nem com segmentos de nenhum tamanho definido em particular em termos de outros níveis gramaticais. Para que uma expressão tem status de comando pode depender de uma formula convencional (“Venho por meio de este solicitar que você deixe este prédio”), entonação (“Vá!” contra “Vá?”), posição na troca de diálogo [“Olá” como uma saudação inicial ou como resposta (possivelmente usada quando respondendo ao telefone)], ou a relação social obtida entre as duas partes (assim como quando uma expressão que está na forma de uma questão polida é, com efeito, um comando quando feita por um superior a um subordinado). O nível de atos de fala media imediatamente entre os níveis normais da gramática e o resto de um evento de fala ou situação em que implica ambas as formas linguísticas e normas sociais.
Para alguns atos de fala amplos pode ser feita analise por extensões sintáticas e estruturas semânticas. Contudo, parece certo que grande parte, senão a maioria, do conhecimento que falantes compartilham assim como o status de expressões como atos são imediatos e abstratos, dependendo do sistema autônomo de sinais dos dois variados níveis de gramática e ambiente social. Para tentar descrever os atos de fala completamente através da postulação de um segmento adicional sublinhando estruturas gramaticais (ex.: “Venho por meio deste X você para...”) é incômodo e não intuitivo. (Considere um caso em que “Você acha que eu deveria tomar este último gole de chá?” é para ser considerado um comando.).
Um nível autônomo de atos de fala é, na verdade, implicado pela lógica de níveis linguísticos de acordo com a ambiguidade de “O tiroteio dos negros foi terrível” e os aspectos em comum de “Cobrir Erv é quase impossível” e “é quase impossível cobrir Erv” juntos requerem um nível estrutural mais profundo em que o anterior tem duas estruturas distintas, o último. A relação entre a forma das sentenças e seu status como atos de fala são do mesmo tipo. Uma sentença interrogativa na forma pode ser agora um pedido, ou agora um comando, ou uma afirmação; um pedido pode ser manifestado por uma sentença que agora é interrogativa, ou agora declarativa, ou imperativa.
O discurso pode ser visto em termos de ações ambas sintagmáticas e pragmáticas; Ex.: ambos como sequencias de atos de fala e em termos de classes de atos de fala entre cada escolha que pode ser feita de acordo com os dados fornecidos.
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