sábado, 1 de setembro de 2012

Primeira Versão do texto de Hymes - Olga

O material etnográfico investigado até então indica que, por vezes, dezesseis ou dezessete componentes têm de ser distinguidos. Não há regra que requeira especificação de tudo simultaneamente. Sempre há redundâncias e, às vezes, uma regra requer menção explícita de uma relação somente entre a forma da mensagem e alguma outra. (Este é um princípio geral no qual todas as regras envolvem a forma da mensagem. Se não afetam sua forma, então governam sua interpretação.) Desde que cada um dos componentes possa, por vezes, ser um fator, de qualquer maneira, cada um precisa ser reconhecido no panorama geral. O estudo psicolinguístico indica que a memória humana trabalha melhor com classificações da magnitude de sete, mais ou menos dois (Miller, 1956). Para fazer o conjunto de componentes mnemonicamente conveniente, pelo menos em inglês, as letras do termo SPEAKING (fala) pode ser usado. Os componentes podem ser agrupados em relação às oito letras sem grandes dificuldades. Claramente, o uso da palavra SPEAKING como código mnemônico não tem nada a ver com a forma de um consequente modelo e teoria. 1. Forma da mensagem. A forma da mensagem é fundamental, como acabamos de indicar. O defeito mais comum e mais sério na maioria dos relatórios de fala é, provavelmente, aquele da forma da mensagem e, portanto, as regras que a governam não podem ser recapturadas. Uma preocupação para os detalhes da forma verdadeira afeta alguns tão insignificantemente quanto se tivessem sido afastadas de uma consideração humanística e científica. Tal visão denuncia uma impaciência, a qual é um desserviço para ambos os propósitos: humanista e científico. É justamente a falha em unir forma e conteúdo no âmbito de um simples foco de estudo que retarda a compreensão da habilidade humana da fala, e que vicia muitas tentativas de análise do significado do comportamento. Categorias de conteúdo e categorias interpretativas sozinhas não bastam. É uma espécie de truísmo, o qual é frequentemente ignorado em pesquisas, o como alguma coisa é dita faz parte do quê é dito. Outrossim, não se pode prescrever antecipadamente a dimensão total do sinal crucial ao conteúdo e habilidade. Quanto mais comum e significativa uma forma de falar se torna para um grupo, é mais provável que pistas cruciais sejam mais eficientes, isto é, leves na escala. Se há resistência a tal detalhe, talvez porque ele requeira habilidades técnicas em linguística, musicologia, ou similares, que são de difícil comando, deve-se encarar o fato de que o significado humano do próprio objeto de estudo e as afirmações científicas do próprio campo de investigação não estão sendo levados a sério. Especialmente quando a competência, a habilidade pessoal, é de interesse, deve-se reconhecer que formas comuns de fala adquirem uma autonomia parcial, desenvolvendo-se, em parte, em termos de uma lógica interna de seus meios de expressão. O meio de expressão condiciona e, às vezes, controla o conteúdo. Para os membros da comunidade, então, “liberdade é o reconhecimento da necessidade”; o domínio da forma da fala é um pré-requisito para a expressão pessoal. Um interesse sério por ambos, análise científica e significado humano, requer que se vá além da afirmação explícita de regras e aspectos da forma. Enquanto tal abordagem possa parecer ser aplicável, em primeiro lugar, a gêneros convencionalmente reconhecidos como estética, ela também se aplica a conversas cotidianas. Somente uma análise meticulosa da forma da mensagem –como são ditas as coisas- de uma maneira que realmente compare e que possa aprender que a intensidade da crítica literária pode expor a profundidade e adequação da arte elíptica que é a fala.

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